O Grande Nintendinho #2 (Batman: The Video Game – 1989)

Por: Alex The Kid

 

Todo gamer sabe que os jogos antigos têm um nível de dificuldade muito superior aos atuais. Isso é indiscutível e acontecia por diversos motivos, entre eles, a necessidade de que o game durasse o máximo de tempo nas mãos da garotada. Precisava de tempo de jogatina.

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O verso da caixa do jogo e a primeira fase.

Batman é um desses jogos, mas que ultrapassa o limite da dificuldade a ponto de muitos abandonarem o game. O famoso “padrão de dificuldade Nintendinho” é muito bem representado pelo jogo do Cavaleiro das Trevas. O game é casca grossa e o jogador precisa, com todas as palavras, decorar aquilo que vai fazer, pois um erro milimétrico e já era! Morreu!

Minha história com Batman – The Video Game é muito superficial. Joguei apenas uma vez na infância, não lembro sequer o ano exatamente, mas acredito que tenha sido em 1991. O que me recordo é que eu havia lido uma matéria pequena acerca do jogo na finada revista Video-Game. Na época eu já era fã do Morcego e a oportunidade de jogar finalmente pintou quando meu velho amigo Marcelinho recebeu a visita de um outro amigo, que levou uma das muitas fitas de Nintendinho que comportavam vários jogos. Um deles era justamente Batman – The Video Game. Éramos crianças com a ansiedade típica da idade e, como jogo era dificílimo, acabamos trocando para outro muito rapidamente.

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A antiga revista especializada Video Game trazia na sua 1ª edição, uma rápida menção a Batman – The Video Game, atiçando minha vontade de jogá-lo.

Para se ter mais uma ideia da dificuldade do game, eu decidi escrever essa matéria há meses, desde então venho praticando, mas com evolução tímida. Sem a utilização de “save state”, geralmente tombo na 3ª fase. Com continues infinitos eu acabei chegando ao final, porém a gameplay que rouba cerca de meia hora de jogadores experientes, acabou me tomando três horas.

Baseado no filme homônimo, Batman é a representação de uma época em que adaptações de filmes para os games, não necessariamente eram sinônimo de jogos ruins. Sim, porque mesmo com toda a dificuldade imposta por Batman, o game é muito bom. A história é apresentada após a tela de título, onde o jogador se familiariza com os fatos. É o aniversário de 200 anos de Gotham City e a cidade está dominada pelo crime. Daí corta para a apresentação de três personagens: Coringa, a repórter Vicky Vale e o Batman. A jogatina começa e o jogador vai se atualizando com algumas cenas apresentadas entre as fases.

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O cartucho clássico do Nintendinho.

Apesar de ser supostamente baseado no filme de Tim Burton, Batman possui cenários que não têm muito a ver com o longa. Inimigos clássicos do Morcego que não aparecem no filme, acabam dando as caras no jogo, como a Mariposa Assassina, o Vagalume, o KGBesta, Max Zeus, o Pistoleiro e etc. No entanto, é bem difícil de identifica-los (só soube quem eram pesquisando informações do jogo). A maioria dos inimigos se mistura aos cenários high tech, o que me faz pensar se a Sun Soft, desenvolvedora do game, já não tinha o software pronto e acabou conseguindo uma licença do Batman, inserindo o personagem posteriormente. Mas isso é apenas uma conjectura.

Graficamente, Batman – The Video Game é bom. Mas não é nem de longe o melhor que o Nintendinho pode oferecer. Como eu disse acima, alguns dos personagens do jogo são difíceis de serem identificados, mas isso não atrapalha a experiência e a equipe de designers composta por Kazutomo Mori, Sp.Taka, Yoshiaki Iwata, Noriko Sakai e Tadashi Kojima, etá de parabéns!

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O game possuía algumas cutscenes que ajudavam o jogador a se situar na trama.

O som e a música do game também são bons. Não há do que reclamar. As músicas de algumas fases empolgam bastante, sendo esse o mérito do compositor Naoki Kodaka, que também trabalhou em mais um jogo do Batman para o NES, Batman: Return of The Joker.

A jogabilidade de Batman – The Video Game, ultrapassa os dois botões de ação do Nintendinho. Para combater uma horda de inimigos, o Batman usa, além dos próprios punhos, três armas que são acessadas pelo botão start: os clássicos batarangues, batdiscos e um batarpão. Cada arma possui características distintas, variando em alcance e em quantidade de dano. Seu uso é limitado, podendo o jogador encontrar itens que recarregam o estoque. Cada arma também tem um gasto desse estoque diferenciado das demais.

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Os chefes não são tão difíceis quanto as próprias fases, no entanto cada um deles precisa de um métedo específico para ser derrotado.

O avatar do Batman pode saltar e abaixar enquanto golpeia os inimigos. Além disso há um movimento do herói típico de Ninja Gaiden, que o permite se agarrar a uma parede e saltar (o famoso wall jump). Esse movimento é fundamental em diversas partes do jogo, sendo que para progredir, o jogador precisa dominar essa técnica.

Batman – The Video Game começa com três vidas que te dão direito a receber 8 golpes. Há recuperadores de dano aleatórios entregues após a morte de inimigos e os continues, conforme eu disse anteriormente, são infinitos. No entanto nada disso deixa o jogo mais fácil. Um detalhe que incomoda muita gente é que dependendo do dano, ocorre o famigerado knockback (recuo) que pode fazer com que você caia num abismo e morra.

São cinco fases a serem percorridas sendo elas: Ruas de Gotham City, Axis Química, Laboratório Misterioso, Esgotos de Gotham e a Torre do Sino da Catedral de Gotham. Cada fase do game é dividida em estágios e, como de praxe, no estágio final há um chefão. No combate o jogador não tem como saber o quão próximo o chefe está de ser eliminado, o que provoca certa angústia. Também percebe-se que a hitbox dos inimigos não é perfeita, mas para a época, funcionava bem.

Uma decepção que eu possuo no tocante ao gameplay é a falta de uma fase que permita o uso do batmóvel e da batasa. Ambos aparecem em cutscenes e deixam o jogador na expectativa de poder usá-los.

Concluindo, Batman – The Video Game não é um jogo para muitos. Sua dificuldade é punitiva e pode frustrar jogadores medianos. Seus gráficos e música estão acima do razoável e a trama, como eu disse acima, teoricamente deveria seguir a do filme. Só que não é exatamente isso que acontece. Mesmo com algumas falhas, Batman está bem representado e, na minha opinião, é o personagem dos quadrinhos que mais possui adaptações de alto nível para os videogames. Batman – The Video Game é uma delas.

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3 comentários em “O Grande Nintendinho #2 (Batman: The Video Game – 1989)

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