O Mestre dos 8bits #16 (Superman: The Man of Steel – 1993)

Por: Alex The Kid

Em 1994 eu era um leitor de quadrinhos assíduo, um gamer encascorado e um amante da Cultura Pop convicto. Ou seja, eu era um tremendo nerd.

Naquela época, com quatorze anos de idade, ser nerd não era nem um pouco legal. Qualquer admiração por elementos geeks era tida como boba e infantil, sendo que fatalmente, os nerds acabavam sendo segregados. Por conta desse preconceito estúpido, eu não dividia com ninguém da escola essa parte do meu hobby. Mas esse não era o único drama, pois algo pior estava acontecendo: Meu videogame, o Master System, iniciara seu fim de carreira.

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Ter um jogo do Superman para o Master System era algo que eu sempre quis.

Mesmo nos últimos suspiros do Master, eu continuei experimentando seus jogos. E era sempre na minha locadora antiga, a Video e Game Center, que eu esbarrava com os últimos lançamentos do console. Um desses momentos ocorreu no início de 1994, quando eu me deparei com a chamativa capa de Superman: The Man of Steel. Ao ver um jogo com uma capa tão legal, eu nem pensei duas vezes e aluguei!

O Master System tinha uma baixa variedade de jogos de super-heróis dos quadrinhos. Seu rival, o Nintendinho, estava anos luz na frente do Master nesse sentido. E eu, como leitor assíduo, não perdia a oportunidade de experimentar um título de super-herói quando podia. O Homem-Aranha, o Batman e o Flash, já tinham passado pelo comando do joystick do meu Master. Chegara a hora do Azulão!

Aluguei o game por um final de semana e infelizmente não pude jogar o quanto eu queria. Nós tínhamos apenas uma TV em casa e eu precisava disputar meu tempo de jogatina com a TV à Cabo que a minha mãe tinha acabado de assinar (em 1994 as TVs por assinatura eram novidade no Brasil).

Eu só revisitei o jogo em 2003, com vinte e três anos, após compra-lo num site de usados. Nessa época, comprar cartuchos completos e em excelente estado de conservação, era barato. Porém, não tive a paciência que deveria ter com o game e ele foi renegado ao armário até eu resgatá-lo para essa matéria.

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Observe a introdução do jogo na contracapa, onde a Tectoy faz piada com a identidade secreta do Sueprman.

Uma das coisas mais curiosas do cartucho da Tectoy é sua contracapa, que possui uma introdução do jogo minimamente curiosa, onde é dito que Lois Lane possui o maior problema de miopia da história, por não conseguir identificar que Clark Kent é o Superman. Essa introdução é certamente obra da Tectoy, pois nas contracapas do game fora do país, não há nada que se assemelhe.

A história do jogo é a seguinte: Lois Lane foi capturada por Brainiac e alguns asseclas do vilão estão prontos para matar o Homem de Aço, que está enfraquecido. Sendo assim, o Superman precisa ir de encontro a vilões como o Galhofeiro, Sr. Mxyzptlk e Metallo, para resgatar sua amada.

Superman: The Man of Steel foi lançado em 1993 com distribuição da Virgin, mas sua data de produção é de 1992. O game tem design atribuído à Sunsoft e sua programação é creditada à equipe da Graftgold, liderada por Rod Mack e Steve Turner.

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Os sprites do jogo são bem feitos. O Galhofeiro é o inimigo da primeira fase.

O jogo possui cinco cenários distintos e belos gráficos, desenvolvidos por John Lilley, que traz a experiência bacana de ver o Homem de Aço bem representado no Master System. A movimentação do personagem pela tela é muito bem feita e seus sprites estão, provavelmente, entre o que há de melhor no console.

A música do jogo é boa, obra de Jason Page. Porém há poucas composições distintas, sendo uma para a tela de apresentação, uma para a introdução da fase, uma para a própria fase, uma que toca nos chefes e uma para o final, sendo justamente essa, a minha favorita. Mesmo sendo boas como eu disse acima, as músicas se repetem em todas as fases e isso se torna um pouco desgastante.

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Entre as fases, uma edição do Planeta Diário reporta o sucesso do Superman.

O jogador pode escolher o nível de dificuldade de Superman: The Man of Steel, na tela de opções. Mas a verdade é que não se trata um jogo difícil. Seus controles são simples, podendo o jogador fazer o herói saltar, voar, usar a visão de calor, aplicar socos e super-socos. A visão de calor e o super-soco são desbloqueados quando o jogador recolhe itens especiais. Há também uma barra de energia que pode ser restaurada quando o jogador encontrar outro item especial.

Os inimigos são fracos, porém difíceis de serem derrotados, isso porque o game possui uma falha catastrófica que é o seu hitbox. Este elemento, fundamental para o sucesso na experiência, é tão ruim, que o jogo do Superman torna-se um título muito fraco.

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A primeira fase é dividida em duas partes. Na segunda parte, o Superman deve desviar de objetos arremessados de um prédio, até encontrar o Galhofeiro na Cobertura.

Para acertar um vilão com os supostamente poderosos socos do Superman, o jogador deve se esforçar para encontrar o ponto correto de impacto no inimigo. O problema, é encontrar tal ponto antes de ser atingido. Isto faz com que a jogatina seja desestimulante e chata. Sendo assim, poucas pessoas conseguem se dispor a avançar no game e Superman: The Man of Steel, não possui aprovação do público geral.

Se o hitbox do jogo tivesse sido bem feito, teríamos em mãos um sucesso do Master e diminuiria a maldição de ter tantos jogos ruins baseados no Homem de Aço.

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A tela final do jogo.

Posso concluir dizendo que Superman: The Man of Steel é dispensável. Possuo o jogo exclusivamente por questões nostálgicas e acabo rejogando de tempos em tempos por puro saudosismo. Seu gameplay é curto. Em vinte minutos pode ser zerado, portanto não posso dizer, nas minhas jogatinas, que estou “perdendo tempo”.

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3 comentários em “O Mestre dos 8bits #16 (Superman: The Man of Steel – 1993)

  1. Muito bacana essa matéria. Mas não resisti e tive que vim aqui nos comentários dizer que a versão do Mega Drive, na qual a versão do Master System se baseou, é a melhor versão que existe já lançada para um videogame.

    A jogabilidade é boa, o desafio é de moderado a difícil, os gráficos são muito competentes (lembram a versão do Batman lançada para esse mesmo console) e a trilha sonora é excelente!

    Fiquei contente em saber que existe uma versão para o Master do azulão e que, pelo visto, é até decente.

    Continuem com esse maravilhoso trabalho. O conteúdo do site é excelente, e vez ou outra estou por aqui lendo uns artigos e matando a saudade.

    Grande abraço.

    Curtido por 1 pessoa

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