Superman – O Filme (Superman – 1978)

Por: Alex The Kid

Os super-heróis clássicos dos quadrinhos começaram a ganhar adaptações para outras mídias muito cedo. O Superman, primeiro a ser publicado (na revista Action Comics nº 1 – 1938), já havia sido adaptado para o rádio e para a TV (em seriados live action e animações). Faltava uma superprodução para os cinemas feita de forma digna e de acordo com a grandeza do personagem.

Com a chamada “You’ll believe a man can fly” (você acreditará que um homem pode voar), o longa do Superman prometia ser um divisor de águas no tocante aos efeitos especiais da época. E tais efeitos foram necessários, pois um filme que trata de um ser alienígena, com os poderes de um semideus, precisaria ser minimamente convincente. E apesar de possuir efeitos especiais extremamente fracos para os dias atuais, na época de Natal de 1978, os fãs do herói saíram dos cinemas com suas bocas abertas.

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Alexander e Ilya Salkind, dois dos produtores do filme.

Não foi nada fácil tornar o projeto de um filme do Superman em realidade. Em 1976, quando a produção começou a trabalhar, a imagem que se tinha de super-heróis em live action era a do cartunesco e exagerado seriado do Batman (1966). Porém, Alexander Salkind e seu filho, Ilya Salkind, juntamente com Pierre Spengler, operacionalizaram uma das maiores e, sem dúvida alguma, a mais ousada adaptação dos quadrinhos para os cinemas.

Para ser levada a sério, a produção do filme precisava mostrar trabalho cedo e contratações pontuais começaram a ser feitas antes mesmo do acordo com o diretor Richard Donner, que havia ganhado notoriedade por seu trabalho em A Profecia (1976).

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Richard Donner, à direita, orienta Chistopher Reeve.

A credibilidade que os Salkind queriam passar, começou a ser desenhada com a contratação de Marlon Brando e Gene Hackman para o elenco do filme. O primeiro, era simplesmente o ator com o nome mais forte de Hollywood, premiado pela Academia por suas performances em Sindicato de Ladrões (1954) e O Poderoso Chefão (1972), Brando recebeu um salário recorde por apenas duas semanas de trabalho. Já Gene Hackman estava na crista da onda, e também já havia sido premiado com um Oscar por seu trabalho em Operação França (1971).

Com esses dois nomes, que seriam sinônimo de salas de cinema lotadas, a produção tinha a atenção da Warner Brothers. Mas sua credibilidade ultrapassava o elenco. Os Salkind tinham nas mãos o roteiro de um filme do Superman escrito por ninguém menos que Mario Puzo (autor de O Poderoso Chefão).

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Mario Puzo à esquerda e o produtor Alexander Salkind à direita.

Originalmente, a história de Puzo alimentaria dois longas do Superman, que inclusive foram filmados ao mesmo tempo. Porém, ao ser contratado para a direção, Richard Donner pediu que Tom Mankiewicz, fizesse alterações no texto. Vem de Donner e Mankiewicz a ideia de centralizar o filme num romance entre Lois e o Superman. Para isso, eles modificaram muito o trabalho de Puzo, que possuía mais de quinhentas páginas de roteiro, reduzindo-o pela metade.

Com grande parte da equipe contratada e apta a começar as filmagens, faltava o principal: Decidir quem seria o Superman.

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Tom Mankiewicz, que adaptou o roteiro original Mario Puzo e Marlon Brando.

Se dependesse dos produtores do longa, jamais teríamos a experiência de assistir Christopher Reeve interpretando o Superman. Isso porque os Salkind queriam atores de ponta para viver o herói. A produção chegou a cogitar nomes como Paul Newman e Robert Redford. Mas foi do diretor Richard Donner, a ideia de buscar um desconhecido para o papel e foi o diretor de elenco Lynn Stalmaster, que descobriu Reeve e insistiu na escolha do ator.

Reeve convencera Donner e Stallmaster de que era o ator ideal para interpretar o Superman em seus primeiros testes de cena. Mas ele não ganhou o papel apenas por saber manter a postura firme do Superman. Seu trabalho como Clark Kent, inspirado no ator Cary Grant, também foi formidável.

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Stallmaster.

A escolha de quem vestiria a capa vermelha do Superman foi um acerto e tanto. Não só pela qualidade de atuação de Reeve, que na verdade tinha pouca experiência, mas por seu carisma inegável. Reeve é o ator que a Warner Brothers tem maior dificuldade de substituir até os dias atuais. Sejamos honestos, interpretar o Superman não deve ser tarefa fácil. Mas também não é um ícone de complexidade. O problema é que Reeve deu tão certo, que os demais não conseguem apagar sua lembrança de nossas mentes.

Com o intérprete do Superman escolhido, chegara o momento de coloca-lo para voar! Reeve possuía diversos uniformes diferente, um para cada tipo de filmagem. O ator foi preso a cabos e ficou deitado em mesas de um estúdio com fundo azul. A equipe de Roy Field (diretor de efeitos visuais), que primeiramente havia cogitado usar bonecos, planadores e animações, encontrou nos cabos e no fundo azul, a melhor forma de fazer o público acreditar que o homem poderia voar. E foi Christopher Reeve que imortalizou a plástica dos movimentos de voo do Superman.

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Reeve simulando o vôo do Superman com a tela azula ao fundo.

O longa batia recordes no tocante à magnitude da produção. Era até então o filme mais caro já produzido na história, tinha mais de mil membros em sua equipe e estava sendo filmado simultaneamente em três continentes. Como a produção filmava os dois primeiros longas do Superman ao mesmo tempo, a equipe chegou a ultrapassar dezenove meses de trabalho. Algo exaustivo.

Um dos últimos elementos introduzidos no filme faz parte de sua identidade. Falo da trilha sonora mais icônica da história do cinema. O maestro John Williams não ganhou o Oscar por sua obra em Superman – O Filme (o prêmio foi entregue a Giorgio Moroder por sua composição em O Expresso da Meia Noite – 1978), mas a mesma está eternizada. Nenhum outro super-herói que teve adaptação para os cinemas, possui uma identidade musical tão forte quanto o Homem de Aço. Todos conhecem o tema do Superman. Mas há que se ressaltar que é muito mais que o tema do herói. Toda a trilha sonora do filme é tocante, bonita e intensa.

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O maestro John Williams criou a trilha sonora mais icônica da história do cinema.

Apesar de não ter levado um Oscar por sua trilha sonora, Superman – O Filme acabou faturando a estatueta de Efeitos Especiais e recebeu algumas outras indicações técnicas na premiação da Academia de 1979, dentre elas a de Melhor Edição e Melhor Edição de Som.

Toda essa seara técnica, trabalhada com excelência no filme, seria pouco relevante se a trama fosse fraca. Só que o filme do Superman quebra esse estigma das superproduções e traz uma história envolvente e dividia em três atos específicos.

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Jor-el julga criminosos com o Conselho de Krypton.

Superman – O Filme, tem início no estéril planeta Krypton, onde Jor-el (Marlon Brando) em conjunto ao Conselho, julga três criminosos por uma tentativa de golpe militar. O líder do bando é ninguém menos que o perigoso General Zod (Terence Stamp).

Após enviar os criminosos à Zona Fantasma (uma espécie de prisão em outra dimensão), Jor-el encara o Conselho. O cientista acredita que Krypton irá explodir e recomenda a evacuação imediata do planeta. Porém, o Conselho discorda de Jor-el e o ameaça caso o mesmo espalhe pânico na população local. Jor-el e sua esposa Lara (Susannah York) ficam no planeta, porém, numa cena carregada de emoção, lançam uma espaçonave carregando seu filho, o ainda bebê Kal-el, rumo ao planeta Terra.

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Jor-el e Lara enviam Kal-el para a Terra.

A intensidade dessa cena traz uma analogia orquestrada por Tom Mankiwevicz de Deus, enviando Jesus ao mundo dos homens no intuito de que ele os guie. A fala de Jor-el é forte e carregada de emoção. Marlon Brando interpreta com extrema facilidade.

Toda a atmosfera criada para Krypton é interessante. Como eu disse, tudo no planeta tem a aparência de ser estéril. O próprio mundo alienígena parece ter sido talhado em cristais gigantes. Os kryptonianos utilizam vestimentas espelhadas. Para dar a aparência luminosa nas roupas sintéticas, a figurinista Yvonne Blake aplicava pequenas esferas de vidro no figurino dos atores. Essas esferas, de acordo com a luz incidida sobre elas, davam o efeito brilhoso que a produção queria. Um detalhe interessante é o símbolo de cada casa kryptoniana estampado no peito da vestimenta dos nativos.

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Jor-el e Lara tentam se proteger da destruição de Krypton. Originalmente, haveria uma cena no filme que mostraria seus corpos sem vida, mas tal momento foi retirado do longa no corte final.

A família do Superman, da Casa de El, possui um brasão similar à letra “S” do nosso alfabeto. Isso explica o símbolo do Superman, porém, o uniforme do herói jamais foi explicado (uma rápida menção às cores foi gravada para o segundo filme, mas foi tirada do corte original – falaremos sobre isso na matéria de Superman II).

O segundo ato do filme traz a bucólica cidade de Smallville (antigamente chamada de Pequenópolis no Brasil), onde a nave de Kal-el cai na cidade e o pequenino alienígena acaba sendo adotado por Jonathan (Glenn Ford) e Martha Kent (Phyllis Thaxter).

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Glenn Ford possui pouco tempo de tela, mas sua interpretação clássica é excepcional.

Batizado como Clark Kent (Jeff East) o jovem é criado sobre fortes bases morais por sua família. Neste ato, uma frase é dita por Jonathan Kent e fica impressa na mente do espectador por conta do poder de suas palavras e pela atuação irretocável de Glenn Ford. A frase é: “You are here for a reason” (você está aqui por uma razão). Isso mostra a moralidade da família Kent, pois é dita após Jonathan e Clark debaterem brevemente sobre o uso dos poderes do jovem.

 A direção do longa se preocupou em indicar a bondade do Superman, que se expressa em grandes e pequenos gestos. Num momento de sofrimento do Homem de Aço e de sua mãe adotiva, um pequeno gesto de muito carinho é passado ao público, quando Clark Kent entrega para sua mãe uma rosa que foi retirada de um túmulo. Isso é amor.

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A Fortaleza da Solidão possui um design inspirado no planeta natal do Superman.

A conclusão do segundo ato se dá quando Clark parte para o norte, levando consigo o cristal verde onde é armazenada a consciência de seu pai biológico, Jor-el. É o cristal verde que constrói a Fortaleza da Solidão, que no longa possui sua versão estética mais emblemática feita até hoje e é constantemente referenciada. A Fortaleza da Solidão é inspirada na engenharia kryptoniana, uma obra única com o design concebido pelo diretor de arte John Barry. É justamente na Fortaleza, que Clark descobre quem é, e passa anos ouvindo seu pai biológico lhe passar praticamente todos os seus conhecimentos. Ao fim, o holograma de Jor-el parece se solidificar e gira, mostrando por uma abertura onde seria o olho, o Superman, já uniformizado e com a trilha sonora tocando ao fundo. Que momento! Essa cena, segundo o supervisor de efeitos visuais do longa, foi uma das tomadas mais difíceis de se realizar.

A figurinista do longa, Yvonne Blake, conseguiu trazer com perfeição o uniforme do Superman dos quadrinhos, para o live action. As cores vivas da roupa do herói fazem acreditarmos que Christopher Reeve é realmente o Homem de Aço. Apesar do uniforme clássico ser inconcebível para os filmes atuais, ele possui uma identidade visual imponente, mas que reflete uma época em que os super-heróis eram mais bondosos.

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Clark Kent com seus colegas de trabalho, Lois Lane e Perry White.

O terceiro e último ato do filme já traz o Superman em sua fase adulta. Ele usa sua identidade secreta de Clark Kent, um pacato, tímido e desastrado repórter. Clark possui uma postura oposta à do Superman. Enquanto o Homem de Aço é seguro, Clark é retraído e envergonhado. Mas ele é bondoso e admirado por seu editor Perry White (Jackie Cooper). No Planeta Diário, o herói pede que metade de seu salário seja mandado para sua mãe em Smallville, isso chama a atenção de sua colega de trabalho Lois Lane (Margot Kidder).

Reeve e Kidder tiveram uma química incrível. Os dois trabalharam muito bem a relação entre os personagens, ganhando tanta verossimilhança, que ambos reprisaram seus papéis em mais três filmes. O envolvimento entre o Superman e Lois Lane é de puro romance. O interesse de um pelo outro é praticamente imediato. Eles se apaixonam e Lois batiza o herói como Superman, logo após voarem juntos numa cena de pura delicadeza.

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Superman leva Lois Lane para um “passeio”.

No longa, o Superman demora para entrar em ação. Mas isso não é nenhum empecilho, pois há tantas coisas para serem mostradas, que a aparição do herói acaba sendo natural. Um detalhe interessante é que pouco antes do Azulão partir para ação pela primeira vez, ele procura uma cabine telefônica, elemento clássico dos quadrinhos, onde Clark Kent costumava dar lugar ao Superman. Só que na Metrópolis do filme, Clark se depara com “orelhões” no lugar das clássicas cabines. Sendo assim, o herói acaba optando por uma porta giratória para se transformar.

Falando em Metrópolis a cidade apresentada no longa é completamente inspirada em Nova Iorque, sendo que o edifício do Planeta Diário, onde Lois, Clark, Perry e Jimmy Olsen (Marc MacClure) trabalham, é na verdade o Daily News Building, localizado no número 220 da 42nd Street (anote para tirar uma foto em frente ao prédio quando você for a Nova Iorque).

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Lex Luthor e seus asseclas, Otis e Srta. Teschmacher.

O maior inimigo do Superman está no filme e trata-se de ninguém menos que Lex Luthor. O vilão interpretado por Gene Hackman é engraçado, carismático e mau. Ele é a “maior mente criminosa do todos os tempos”. Luthor trata seus asseclas, que, diferentemente dele não são tão maus assim, como tolos. Ele não tem nenhum apreço pelo fiel Otis (Ned Beatty) e pela bela Srta. Teschmacher (Valerie Perrine). As motivações de Luthor, como vilão, são sólidas. Após comprar terrenos no deserto, Luthor pretende destruir grande parte da Costa Oeste dos EUA, lançando mísseis na Falha de San Andreas (uma falha geológica extremamente instável). Assim, as terras de Luthor seriam o novo litoral da Costa Oeste e ele provavelmente teria nas mãos o imóvel mais valorizado do mundo.

Obviamente, com a chegada do Superman, Luthor se vê impedido de por em prática seu plano, sendo certo de que o sucesso, depende da destruição do Homem de Aço. Para tanto, o vilão trata de encontrar algo extremamente perigoso para o Superman, a Kryptonita! A maneira como Luthor descobre o elemento da Kryptonita, é no mínimo infantil e com pouca informação que demonstre qualquer embasamento capaz de associar os efeitos fatais do minério no Superman. Essa, para mim, é a única falha do filme.

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Luthor ameaça o Superman com um pedaço de Kryptonita.

Não posso deixar de falar do esconderijo dos vilões. Os detalhes do local impressionam, ainda mais pelo fato de ser uma construção subterrânea. Mesmo assim, Luthor possui uma piscina, uma biblioteca enorme, uma sala de controle e etc. Infelizmente, o corte final do longa retirou algumas cenas do Superman invadindo o covil de Luthor e superando suas armadilhas. Mas em algumas versões de home vídeo, pode-se encontrar esse material.

A sequência final de ação do Superman ajuda o público a ter uma noção de seu poder físico. O herói faz, digamos, uma gambiarra nas placas tectônicas da Falha de San Andreas e parte para ajudar diversos habitantes da Costa Oeste que estão em perigo. Interessante também, é notar que o raio de atuação do Superman tem capacidade para cobrir muito mais do que Metrópolis.

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Superman parte após resgatar Lois.

É neste momento que o espectador se depara com a cena mais forte do longa. Falo da cena em que o carro da repórter Lois Lane é soterrado, demonstrando seu completo desespero e do consequente drama vivido pelo Homem de Aço ao encontra-la sem vida. Além de ser um dos momentos mais marcantes do filme, é também o ápice de atuação dramática da dupla Christopher Reeve e Margot Kidder durante toda a franquia. O momento em que Superman coloca o corpo de Lois no chão, demonstra o cuidado e o carinho que o Homem de Aço tem com ela. E o momento em que o herói enfrenta a determinação de seu pai biológico, que diz que o mesmo não pode interferir na história da humanidade, demonstra o amor de Superman por Lois Lane. O herói tem que enfrentar um paradoxo nesse momento. Seu pai biológico, Jor-el, diz que o mesmo está proibido de interferir na história da humanidade, no entanto, seu pai adotivo, Jonathan Kent, diz que o herói está aqui por uma razão. O lado humano fala mais forte!

A mão de Richard Donner, certamente com o auxílio brilhante do diretor de fotografia Geoffrey Unsworth (a quem o filme é dedicado), ajuda a cena a se tornar ainda mais intensa. Sua apresentação em diversas perspectivas, é pura arte. Se levarmos em conta, o tripé de direção música e atuação, temos em mãos uma cena perfeita.

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O Superman encontra Lois sem vida.

O trabalho de Donner alcança níveis de obra de arte em outros momentos. Desde o início do longa, com a criança lendo uma revista em quadrinhos com a sobreposição das cortinas de um teatro, até o trato com o elenco. Os atores e a equipe parecem realmente admirar o trabalho do cineasta, que fazia muito mais do que a parte técnica da direção, tratando de egos inflados, como o de Gene Hackman, que gostaria de interpretar seu Lex Luthor ostentando um vistoso bigode. Graças a Deus, Donner conseguiu dissuadi-lo da ideia.

Concluindo, Superman – O Filme é uma produção quase perfeita. Apesar de ser datado no tocante aos efeitos especiais, a história possui leveza, e a apresentação do herói ao grande público foi feita por um elenco incrível e muito convincente. Até os dias atuais, Christopher Reeve, Gene Hackman e Margot Kidder, não tiveram substitutos à altura para os papéis de Superman, Lex Luthor e Lois Lane. A direção de Donner, atrelada ao roteiro adaptado de Mario Puzo, trabalha as raízes do super-herói num romance comovente. Sua inocência contrasta com os dias atuais, onde um escoteiro deixou de ser admirado como deveria. O Superman interpretado por Reeve é único, sendo que seus sucessores não conseguiram representar nas telas, o verdadeiro significado do herói.

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O Superman esboça um sorriso para a câmera antes de subirem os créditos finais do filme, como se quisesse agradecer ao público.

Talvez a questão econômica dos estúdios tenha sufocado a vontade de se trazer o Azulão como ele deve ser. É só assistir os filmes de Christopher Reeve e entender a personalidade dele. O Superman é pura e simplesmente bom. Para ele, toda vida é sagrada. Ele salva o gatinho que subiu na árvore e entrega para criança com um sorriso no rosto. Ele salva o ônibus escolar de um acidente e acena com um tchauzinho para as crianças. Ele é o Superman!

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6 comentários

  1. Ótima matéria sobre um excelente filme. Não sabia dessas importantes cenas que foram excluídas do corte final do longa. Vou buscar uma versão com as cenas incluídas para poder conferir.

    Curtido por 1 pessoa

  2. […] Toda vez que assisto Superman II – A Aventura Continua, eu procuro colocar dublado, para assim amplificar a experiência nostálgica que o filme traz. Porém, com o passar dos anos, pude reparar que o filme não é tão incrível quanto eu considerava quando criança. E seus problemas começaram antes mesmo do lançamento do primeiro longa nos cinemas (veja nossa análise de Superman – O Filme aqui: https://podounaopod.wordpress.com/2018/05/01/superman-o-filme-superman-1978/). […]

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