Batman Eternamente (Batman Forever – 1995)

Por Alex The Kid

 

Chegamos em 1995. Eu tinha quinze anos, adorava a animação do Batman de Paul Dini e Bruce Timm e era leitor assíduo dos quadrinhos do Cavaleiro das Trevas, que na época, estava no meio do arco: A Queda Do Morcego (publicado pela Abril Jovem no Brasil). Já me considerava um conhecedor das origens do herói e posso afirmar que não gostei nada do que assisti nos cinemas.

Batman Forever Poster
Pôster do filme.

O terceiro filme da série não é um reboot, mas também não é uma continuação direta de Batman: O Retorno (apesar de haver referência ao mesmo). Após Tim Burton, no último filme, apresentar uma temática considerada demasiadamente obscura e que agradou muito mais aos adultos do que aos jovens e crianças (potenciais consumidores vorazes), a Warner Brothers optou por substituí-lo por alguém que trouxesse uma atmosfera propícia para as famílias curtirem o novo filme: O diretor Joel Schumacher.

Schumacher é notadamente conhecido por seu bom trabalho em um dos grandes filmes adolescentes da década de 1980: Garotos Perdidos (The Lost Boys – 1987) e também pelo incrível Um dia de Fúria (Falling Down – 1993). Com esse histórico, o diretor poderia fazer um trabalho tão competente quanto seu antecessor, que acabou sendo renegado ao cargo de produtor.

Batman Forever Neon nas Metralhadoras
Os vilões do filme usam neon em suas armas.

Porém, a nova direção do filme, provavelmente no intuito de afastar-se dos parâmetros estabelecidos por Burton nos dois primeiros longas da série, trouxe uma visão esquisita do que seria o Batman em 1995. Começo analisando o visual do filme, uma espécie de mistura de neon e luz negra, com gótico. Gotham City tem neon em tudo! Até nas metralhadoras dos vilões. Alguns chegam a usar maquiagens iluminadas ridiculamente com luz negra! O Batmóvel tem neon, tudo tem neon! Fazendo uma analogia, se Batman Eternamente fosse uma história em quadrinhos, seria colorida com caneta marca-texto. O mais incrível é que o visual do filme, trabalhado pelo diretor de fotografia Stephen Goldblatt, foi indicado ao Oscar. Uma boa analise despida de preconceitos, leva a conclusão de que foi um bom trabalho, porém no filme errado. Batman e neon não devem coexistir.

Outra opção que eu não compreendo é a troca do tema primoroso de Danny Elfman para o de Elliot Goldenthal (que é qualificado e chegou a ganhar um Oscar por Frida – 2002). A música de Elliot é desagradável, monótona e repetitiva. Apesar de termos ótimas músicas compondo a trilha sonora, como a premiada Kiss From A Rose (Seal) e Hold Me, Thrill Me, Kiss Me, Kill Me (U2), o mais importante, que é o tema, não ficou bom.

Seguindo a linha das alterações que me desagradaram em cheio, citarei as duas piores: 1. A substituição do incrível Batmóvel concebido por Anton Furst pelo carro iluminado e com o maior “rabo de peixe” da história, criado por Barbara Ling. O Batmóvel de Barbara Ling é uma referência óbvia ao Batmóvel de Kelley Jones (artista dos quadrinhos cuja a arte me incomoda demais), criado em 1995, para os quadrinhos. O próprio Batmóvel de Kelley Jones é inspirado no de Jerry Robinson de 1941, criado para a edição Batman #5. Nada moderno! 2. Em Batman Eternamente, a batsuit ganhou os tão falados mamilos. Schumacher diz que o design do uniforme foi inspirado nas estátuas dos deuses gregos. Esse detalhe, que gera polêmica até hoje, estragou por completo o uniforme bem trabalhado de Bob Ringwood e Ingrid Ferrin (o primeiro já havia trabalhado nos dois longas anteriores e se despediria da série no terceiro filme). Batman tem dois uniformes no filme. O primeiro, tirando os mamilos, é completamente aceitável, mais arrojado que os anteriores. O cinto de utilidades amarelo, foi substituído por um preto. O segundo uniforme, que é péssimo, ganhou tonalidade metalizada e perdeu a elipse clássica do morcego. É um projeto que Bruce Wayne se vê forçado a usar em determinado momento do filme (nesta sequência, a direção do longa achou boa ideia dar um close no traseiro do Batman). O uniforme de Robin, que também possui mamilos (como é triste escrever isso), segue a batsuit com tons metalizados, o que na época não desagradava, mas hoje é inconcebível e demasiadamente carnavalesco.

Quando o terceiro filme entrou em pré-produção, as mudanças propostas pela Warner, desagradaram justamente o intérprete do Batman nos filmes anteriores. Michael Keaton deixou o papel e Val Kilmer foi contratado para vestir o manto do morcego. Outros atores da série permaneceram com seus papéis, foram eles: Michael Gough (Alfred) e Pat Hingle (Comissário Gordon). Kilmer tem um desempenho morno. Acabou se destacando mais por seus desentendimentos com o diretor, fora das telas, do que por uma boa atuação no filme. O parceiro do Batman, Robin/Dick Grayson foi interpretado por Chris O’Donell, que trouxe um Robin muito mais velho do que o dos quadrinhos e numa fase “aborrecente” capaz de irritar qualquer um.

Batman Forever Vilões
Os vilões caricatos de Batman Eternamente.

Para os vilões, foi contratada uma excelente dupla de atores: Tommy Lee Jones (Harvey Dent/Duas Caras) e Jim Carrey (Edward Nygma/Charada). O personagem de Jim Carrey é novidade na série. Nygma é um cientista louco e obcecado por Bruce Wayne. Já o promotor público Harvey Dent, já havia sido apresentado ao público no primeiro filme sendo interpretado por Billy Dee Williams, o Lando de Star Wars. Infelizmente, não o consideraram para reviver o personagem.

Tommy Lee Jones e Carrey parecem interpretar como se estivessem trabalhando no seriado sessentista. O que, em regra, não seria um problema. Mas foi! A visão do que era o Batman em 1960 não era plausível em 1995. O Duas Caras é descontrolado. Ele ri com frequência. Não condiz com a personalidade do personagem. Já o Charada de Carrey, é um debiloide. Se era para ser cômico, fracassou por completo. As motivações dos cartunescos vilões são baseadas na vingança.

Batman Forever Chase Meridian
Batman e a Dra. Chase Meridian.

A história de Batman Eternamente traz um Batman atormentado por pesadelos e que busca auxílio na psiquiatra Chase Meridian (Nicole Kidman). Exatamente! Batman vai à psiquiatra. Às vezes o herói tem os pesadelos acordado. A obviedade do roteiro faz com que o morcego se apaixone pela doutora e que inclusive, cogite deixar a ocupação de vigilante de Gotham. A Dra. Meridian possui interesse amoroso, tanto em Bruce Wayne, quanto em Batman, fazendo haver uma espécie de competição rápida e sem sentido entre o herói e seu alter ego.

O parceiro do Batman possui pouca relevância no longa. Robin está no filme apenas para ser apresentado ao público e nada mais. O roteiro de Lee Batchler e Janet Scott Batchler coloca o Duas Caras como responsável pela morte da família do Robin. Nos quadrinhos, um mafioso de quinta categoria chamado Tony Zucco, é quem mata os pais de Dick Grayson (diferente do filme, Dick não tem irmão). Mas a velha mania de vincular a origem de um herói a um ato de um vilão, passou por cima disso, já que após o assassinato da família, o Menino Prodígio obviamente quer vingança e se torna Robin, justamente para concretizá-la. Lembrando que no primeiro filme da série (Batman – 1989), Jack Napier/Coringa é quem mata os pais de Bruce Wayne e não Joe Chill, como nos quadrinhos.

Apesar de não chegar a ser um bom filme, Batman Eternamente, a meu ver, supera seu antecessor apenas nas cenas de ação melhor trabalhadas. Porém, nada grandioso e tampouco memorável. Inclusive, são poucas as oportunidades de ver o Batman em ação. As sequências com o Batmóvel, Bat-Wing e Bat-Lancha são muito fracas. A do Batmóvel chega a ser desconcertante. O carro não tem design favorável para o live-action.

Batman Eternamente não faz jus ao Cavaleiro das Trevas. Depois do ótimo Batman (1989) e do desperdiçado Batman: O Retorno (1992), a esperança de assistir algo bom foi pro ralo. Mas o pior ainda estava por vir.

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