Batman – O Retorno (Batman Returns – 1992)

Por: Alex The Kid

Depois de um filme excepcional como o Batman de 1989, as expectativas por uma sequência certamente seriam elevadas. As minhas, no alto dos meus doze anos de idade, estavam no céu. Pela primeira vez eu fui ao cinema sem ser acompanhado pelos meu pais ou algum responsável. Era 1992 e eu estava com a galera da escola num cinema de rua da Tijuca (bairro da Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro). Outra época. A expectativa que eu tinha, mesmo negando por anos, fora frustrada. O filme tem alguns problemas que o fazem não ter a mesma qualidade do antecessor.

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Bob Kane, criador do Batman junto com Bill Finger, visita o set de filmagens.

A trama não é ruim. O empresário Max Shreck (Christopher Walken) pretende construir uma usina nuclear em Gotham City. Ele quer licença, incentivos fiscais e outras picaretagens para iniciar as obras. No entanto, a cidade tem energia de sobra e, na verdade, não precisa de uma usina nuclear. Por óbvio, existem segundas intenções de Shreck. Ele pretende roubar energia da cidade, para no futuro, vendê-la.

O empresário corrupto possui um histórico de crimes ocultos que são descobertos pela gangue do Triângulo Vermelho. Shreck acaba sendo chantageado pelo líder da gangue, o até então anônimo, Pinguim (Danny DeVito). O vilão era tido como uma lenda urbana (o terrível homem-pinguim dos esgotos) e quer que o empresário o ajude a encontrar suas origens, seu nome e, consequentemente, entrar pro rol de cidadãos de Gotham City.

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DeVito ficou excelente como Pinguim.

Max vê dificuldades em obter a autorização da construção de sua usina e esbarra na falta de apoio das Indústrias Wayne, que possuem forte influência na cidade. O empresário, em conluio com o Pinguim, bola um plano para fazer com que o segundo lance sua candidatura a prefeito e assim possa beneficiar-se das vantagens de ter o comparsa no comando da cidade. Mas no caminho de ambos estão Batman (Michael Keaton) e a indecisa Mulher-Gato (Michelle Pfeiffer).

Como demonstrei acima, o roteiro de Sam Hamm e Daniel Waters, é simples e bom. O problema é a forma como foi executado. E o que mais me incomoda é como apresentaram a Mulher-Gato na história. A vilã não tem motivações minimamente razoáveis. Num momento salva uma inocente, no outro quer do nada, derrotar o Batman. A inclusão da personagem no filme não deveria ter ocorrido. A desperdiçaram. Mas o incrível é que, até hoje, a Mulher-Gato de Michelle Pfeiffer é a mais icônica que já apareceu em live-action. O filme possui a cena da lambida da Mulher-Gato no Batman, que todo mundo já assistiu e é antológica. Mas o conteúdo da personagem, a meu ver, foi realmente desprezado.

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Michelle Pfeiffer é, visualmente, a Mulher-Gato mais icônica que existe.

A origem da Mulher-Gato é absurda. Selina Kyle é a submissa secretária de Max Shreck (nos quadrinhos a personalidade de Selina jamais permitiria tal situação). Porém, a mesma descobre que seu chefe possui interesses pra lá de escusos, envolvendo a construção da usina. Max empurra Selina através da janela do escritório. E a partir daí, eu tenho a mesma dúvida que me acompanha desde meus doze anos: Os toldos que Selina atravessou, amorteceram sua queda o suficiente para que ela apenas tivesse uma dor na lombar no dia seguinte, ou os gatos do beco a reviveram naquele ritual bizarro? Concebendo assim a Mulher-Gato, uma meta-humana com nove vidas, que luta de igual pra igual com o Batman, sem ter tido uma única aula de arte marcial? Nunca obtive tal resposta.

O elenco teve a troca natural de Jack Nicholson por Danny DeVito, afinal, o personagem do primeiro bateu as botas no filme anterior. E o Pinguim de Devito é tão competente quanto o Coringa de Nicholson. A maquiagem usada para dar forma ao vilão é incrível (tanto que rendeu uma nomeação ao Oscar de melhor maquiagem para Ve Neill, Ronnie Specter e Stan Winston). DeVito ficou irreconhecível. E sua atuação, a meu ver, é impecável. Não chega a roubar a cena, mas é ótimo assisti-lo. Ele é mau, feio e, como nos quadrinhos, tem seus famosos guarda-chuvas especiais (destaque para o guarda-chuva-cóptero).

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Após o combate com a Mulher-Gato, o Batman se recompõe na batcaverna.

Michelle Feiffer também tem atuação acima do regular, mas como eu disse, sua personagem tem pouco a acrescentar à trama. Já o terceiro vilão (um exagero ter três vilões), criado exclusivamente para o filme, Max Shreck (quase Max Schreck – ator famoso por interpretar Nosferato), foi muito bem vivido pelo sempre competente Christopher Walken. O protagonista Michael Keaton atuou sem comprometer. Manteve a boa interpretação do primeiro. Continuo sem entender sua escalação para dar vida ao Batman na tela do cinema. Repito que é um bom ator, mas o físico destoa muito.

Algumas ausências, como a de Vicki Vale (Kim Basinger) e Harvey Dent (Billy Dee Williams), personagens importantes do bat-cânone e presentes no longa anterior, não fazem muito sentido. Bruce Wayne (Michael Keaton) até explica a razão de Vale não estar presente, mas a ausência de Harvey Dent/Duas Caras, o promotor público, é simplesmente ignorada. E eu queria muito ver como seria o Duas Caras de Billy.

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Entre novos apetrechos, o Batman possui um batarangue automatizado.

O elenco de apoio é interessante. Seguem nos papéis de Alfred e Comissário Gordon, os atores Michael Gough e Pat Hingle respectivamente. O primeiro agrada em todas as cenas. Alfred sempre tem algo interessante para falar. Já o segundo, não foi aproveitado sequer de forma digna. Na gangue do Pinguim eu destaco os inominados Vincent Schiavelli de Ghost: Do Outro Lado Da Vida e Rick Zumwalt, famoso por atuar em Falcão: O Campeão dos Campeões.

Tim Burton volta à direção na sequência. E acaba sendo muito… Tim Burton. Batman: O Retorno é um exagero artístico do diretor. É muito teatral e sem necessidade para tanto. O filme de 1989, que abriu a série, foi um filme do Batman dirigido por Tim Burton, enquanto Batman: O Retorno, é um filme de Tim Burton que tem o Batman. Muita coisa ficou diferente do anterior. Em Batman: O Retorno até as atuações são caricatas.

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Tim Burton teve muita liberdade criativa no longa e, talvez, esse tenha sido o problema. Na direita o diretor orienta Keaton. Na esquerda, Michael Gough como Alfred.

Algumas coisas boas foram mantidas como a ótima trilha sonora de Danny Elfman, em nova versão, porém muito fiel à original.

A Batsuit voltou aperfeiçoada. Tem um tom metalizado que difere da roupa preta do primeiro filme. Sua logo é agora exatamente igual a clássica e a máscara também sofreu algumas alterações que a deixam mais parecida com uma arte dos quadrinhos. Porém, o mesmo problema da antiga roupa persiste. Batman não consegue mexer a cabeça. O herói apresenta novos equipamentos, incluindo um batarangue teleguiado.

O melhor batmóvel já feito também reaparece. Este, também com novos equipamentos e novas funções. Continuo achando esse carro incrível. O segundo veículo usado pelo herói no filme, é uma espécie de bat-lancha, chamada de batskiboat (foi criado por Jacques Rey). O veículo tem uma sequência bacana, mas assim como a bat-asa do primeiro filme, tem pouco tempo de tela e sua relevância pode ser contestável. Mas, repito, sua sequência é legal e o veículo é bastante estiloso.

Batman: O Retorno poderia ser muito maior e melhor do que é. A qualidade de seu elenco e do diretor, são inquestionáveis, porém, a sombra do primeiro filme é grande demais. A saída de Tim Burton para o terceiro filme não me impressiona.

 

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